Helena Bonham Carter no cinema e Maggie Smith no teatro.

Pedro.

Ele era covarde. Na verdade, ele sempre foi covarde e mesmo que relutante, sabia disso. Mas a covardia não pode ser medida em dragões não derrotados ou donzelas ainda presas nas torres, a covardia é pior do que tudo que pode haver. O medo, de dentro. De dentro da gente. Tudo bem, você vai me dizer que não é bem assim, vai me dizer que todo mundo tem medo. Não vem com esse papo de merda, que isso pode funcionar com os seus queridos admiradorezinhos formadores de opinião que ficam sempre te lambendo porque você é o mais foda, mas comigo não. Já estou anestesiada a toda a sua persuasão. Ontem me disseram que sou cética, acredita amor? Disseram-me que não tenho crença. Ah! Pode até ser, perdi mesmo toda aquela fé. Mas não falo de uma fé em Deus. Em um Deus. Eu perdi mesmo foi uma fé em tudo, em qualquer coisa. Pregamos essa realidade brutal de amor. Eu te amo todos os dias pra aquela pessoa que você nem sabe se ama mesmo, que você nem sequer conhece. E você vai dizer que o amor a gente encontra, o amor a gente sente. Eu não acredito. Tudo bem, você venceu, deve ser assim mesmo, tudo. Porque tem neguinho por ai cheirando cola, dando por dinheiro, passando fome. E a gente sabe, só que não sente não é? Não sente porque não afeta nosso próprio rabo. Agora ta explicado, é tudo uma questão de sentir. É só que as vezes, a gente sente a coisa errada. Sente por alguém errado. Sente por qualquer coisa. Só sente o medo e pronto, vem a covardia outra vez.